segunda-feira, 8 de junho de 2009

Além dos Olhos




Era interessante, chamava atenção.

Por mais de uma vez, senti um impulso tão grande de descer e ver o que era...

Tive medo. Preferi ficar onde estava. Algo me dizia que apesar de atraente, traria dor.

Num sonho, tempos depois, passei pelo mesmo lugar e não contive a curiosidade.

Uma experiência diferente...

Muitas pessoas, muitos sorrisos, festa, alegria...

Já que estava lá, não podia ficar na parte mais superficial... Queria saber o que havia naquele lugar.

Quanto mais caminhava, via que a primeira imagem não era tão verdadeira quanto pensava. Conforme andava por aquele lugar, as fisionomias iam mudando.

Não estavam todos felizes como pareciam.

Existiam pessoas que choravam pelas outras... Havia uma mulher com um pequeno ser no colo, e suas lágrimas expressavam uma dor tão grande... Chegava a doer em mim. Outras olhavam para o vazio, procurando seus pequenos seres, que haviam se perdido... Perdidos em si mesmos e perdidos no meio do povo.

Vi um olhar assustador... Havia ódio naquele olhar, não sabia por que nutria aquele sentimento que foi aumentando de tal forma que se espalhou para os lados. Senti um gosto amargo...

Outros daqueles choravam por esperar algo, que há muito havia sido prometido, mas conforme disseram, a data nunca chegava.

Pelas estradas, uma sensação de vazio me invadia e não conseguia saber de onde vinha, não entendia o porquê daquilo, daquele sentimento. Mais uma vez fiquei sem saber o que era.

Continuei minha viagem... Muitos caminhavam, meio sem rumo, mas iam firmes sem saber se chegariam. Transmitiam uma sensação diferente, olhavam para o horizonte e viam algo. Às vezes tropeçavam, mas continuavam na sua empreitada, fossem quais fossem as condições do tempo ou de seus corpos.

Em cantinhos, vez por outra, via alguém encolhido, pensativo sem saber se caminhava como os outros ou ficava por lá tentando curar suas feridas. E era bem neste lugar que senti um grande vazio.

Logo em seguida, vinham várias pessoas com olhares expressivos. Rostos iluminados, sorrisos. Estes sorrisos soavam mais verdadeiros que os primeiros que vi.

Não se vestiam de maneira igual, percebiam-se muitas diferenças. Apesar das diferenças, tinham em comum aquela luz, aquela vontade de seguir, independente do caminho que fossem passar...

Provei de um fruto, tinha um gosto muito doce... Foi ofertado por um pequeno menino que me olhava com aqueles olhos vivos, cheios de sol. Mais doce que o sabor da fruta, somente aquele olhar iluminado, e a paz que aquela pequena criança transmitia...

Talvez se continuasse, teria visto muitos outros lugares, teria experimentado muitas outras sensações. Melhor partir, nem tudo deve ser conhecido ainda...

Quem ou o que sou eu? Isso não tem importância ainda...

O importante é o que sonhei...


Fiz uma viagem para meu interior... E vi que muitas vezes nosso interior se parece com o meio externo, se assemelha ao mundo.